Seja...Triste, mas não amargo. Introspectivo, mas não solitário. Crítico, mas não azedo. Cético, mas não cínico. Complicado, mas não intolerável. Sincero, mas não inconveniente. Veemente, mas não agressivo. Alegre, mas não leviano. Grave, mas não iracundo. (Ricardo Gondim)

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Constatações


Sinto-me constantemente irrequieto,
Quisera explicar como tantos fatores convergiram para esse meu existir.
Apesar de tudo, me aceito como um milagre,
Vejo-me normalizado diante do espelho.

Aos trancos, busco aprender ser homem, pai, amigo, companheiro;
Na estrada que percorro, não sucedo ninguém,
E assumo a missão de tornar-me cada dia eu mesmo.
Espero viver o dia em que eu atinja a minha melhor versão.

Por enquanto, prossigo sem saber do que tenho medo, apesar de tê-lo;
Não decifro de onde vem à timidez que deveras tenho,
O que me faz introvertido perante outrem,
E desenvolto junto a multidões?

Penso, amo, peco, sonho, gargalho, choro: existo!
Reconheço que aconteço envolto em precariedades,
Ainda assim luto para não me acovardar,
Recuso conceder-me trégua.

Nessa irredutível arte de viver,
Procuro dar aos meus melhores instantes, status de eternidade,
Sem dispensar, por óbvio, os suprimentos que sempre emanam de Ti.
Anelo que me tenhas reservado um bom fim!


por Magno Ribeiro em 20/11/2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Paráfrase


Ando construindo e demolindo teses de sobrevivência.
Com frequência observo que o que imagino ser novo em mim, nem sempre é bom,
Além do que constato que o que penso ser bom, não é necessariamente novo.
Até agora não fui sequer premonitório,
E o meu espanto, quando há, é meramente retórico.
Mas isto se configura apenas em detalhe, posto que, como já dissera o poeta,
‘A retórica está na língua de quem ama, de quem engana e de quem tem necessidade’.

O que resulta em desespero, no entanto, é essa dependência que tenho de mim,
E nela, enxergo-me como autofágico escasseando as últimas reservas.
Por isto que em minhas catilinárias, ouso parafrasear Cícero e indago-me:
Até quando, enfim, abusarás da minha paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor me enganará? Até que ponto a tua audácia desenfreada se gabará de mim?
Oxalá pudesse aguentar a prosperidade com autocontrole e a adversidade com mais firmeza,
Mas não tenho conseguido, e nem sei se algum dia hei de conseguir.

‘Vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento’, 
‘Desventurado homem que sou! Quem me livrará?’ Exclamo.
Daí a minha maior carência: a de Ti.
E se é vero que não resistes ao meu arrependimento,
Declaro-me arrependido agora, sem saber, todavia, se estarei logo mais.
Careço da Tua urgência!
Ou melhor, clamo.



Por Magno Ribeiro em 16/9/2013

terça-feira, 19 de junho de 2012

Daí...



Sou formado de heterogeneidades,
Não sou sozinho, sou muitos,
Agraciado com uma vida apenas, possuo tantas existências.
Nelas, misturo amor com indignação, compreensão com impaciência, fúria com misericórdia.
Também confundo batalhas com guerras,
Daí, o meu cotidiano ser cenário de intensas disputas com placar pouco contento.


Já caí e levantei-me,
Em pé, antevi que seria difícil, e tem sido.
Minhas memórias quase sempre ressuscitam fantasmas,
Assim mesmo, não desisto, insisto, tropeço, não caio, pelo menos não ainda.
Daí, as novas largadas,
Daí, o antigo desejo pelo cume do pódio.


Do desejo quase obsessivo,
Sou constantemente surpreendido pela ronda dos velhos instintos.
Talvez fosse o caso mudar de extremidades:
De formador de respostas, a autor de perguntas,
De dono de verdades, a caçador delas.
Daí, falta-me coragem quando a ordem resulta em mudanças.


Sem coragem,
Caminho por uma linha imaginária e tênue,
Onde em lados distintos e próximos, enxergo o bem e o mal, a delicadeza e a estupidez.
Tenho sido inábil para transformar a oração em compromisso,
E incompetente para utilizar convicções como porta para o diálogo.
Daí, a ausência de lucidez em boa parte do meu tempo.


Sobre o tempo,
Suspeito que minhas horas são aferidas no ponteiro de segundos,
Ando trocando dia por noite, e nem sou sentinela.
Antes fosse!
Não demora e tudo deixará de ser,
Daí, a sensação de fracasso, impotência e culpa.


Felizmente não subsisto estagnado, reajo:
Pisoteio o sentimento de fracasso,
Despisto a impotência e transformo a culpa em aliada.
Elevo o olhar, e do que vejo, eis o meu socorro!
Não demora e tudo passará a ser,
Daí, minha esperança.


por Magno Ribeiro em 19/6/2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ausências



Preciso não me sentir obrigado em absorver mais do que absorvo,
Careço aferir-me tão carente como carente afiro outrem;

Preciso me absolver de dívidas prescritas, jamais pagáveis,
Careço livrar-me dos grilhões que eu mesmo me brindei;

 Preciso sobrepor melhor conteúdo ao que já construí da minha história,
Careço do escafandro divino para mergulhar mais profundamente em Ti;

Preciso de incentivo para enxergar os lampejos de como seria minha vida sob os Teus valores,
Careço revolucionar-me, todavia, não sem sabotar os meus mimos e subverter minha sina;

 Preciso de esperança que desvele em mim outra realidade, outro horizonte, outra forma,
Careço perenizar o bem para enfim estreitar esse abismo que me separa de Ti;

 Preciso dissociar-me desta frenética busca pelo inatingível que me distancia da graça,
Careço da serenidade de não me deixar seduzir pela mentira de que há outros caminhos;

Preciso incubar Tua vida em minha vida,
Careço viver as canções que tenho entoado pra Ti;

 Preciso parir oportunidades que sejam fecundadas por Ti,
Careço enraizar-me outra vez para fazer diferente e diferença;

 Preciso do antidoto contra o veneno que inoculo em mim mesmo,
Careço que as Tuas palavras sejam transformadas em versos que me saciem de eternidade;

 Preciso, careço...


por Magno Ribeiro em 18/5/2012


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Impulsos


Impulsos irresistíveis,
Por vezes se tornam controladores de mim;
Sem mais nem menos, me envolvem em quimeras,
Ofuscam-me a razão, contraio as pupilas;
Contraídas, meu coração acolhe tudo,
Quase sempre enganado e enganando-me.

Acalento o que não tenho ou perdi,
Deslembro-me “ingenuamente” dos tesouros conquistados;
Vejo-me absorto num horizonte improvável, encharcado de interinidade,
Vislumbrado pelo devir e atraído pelo que nem sei;
Impulsionado, chafurdo a minha memória,
Sabotando aquilo que me pode trazer esperança.

Admito ser pesado o alforje que carrego;
Quisera eu outros impulsos para substituí-lo pelo Teu,
Sabidamente mais leve;
Quisera eu outros impulsos que me subtraíssem o controle,
Impelindo-me em entrega-lo inteiramente a Ti;
Quisera eu, pudera eu...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ciclos


Revivo o ontem, revivê-lo é preciso,
Enxergo destroços, constato que perdi a guerra;
Vivi em círculos.

Vivo o hoje, tenho de vivê-lo,
Acabo de concluir etapas, vencer batalhas, mas não a guerra;
Ainda estou em circos.

Vislumbro o amanhã. Decerto, incertezas.
Assim mesmo avanço, careço de paz, por isto a guerra;
Agora Contigo, não temo os próximos ciclos.

Por Magno Ribeiro em 2.1.2012

domingo, 20 de novembro de 2011

DESENCONTROS E ENCONTRO.


Busquei frutos, encontrei sementes;

Procurei flores, enxerguei espinhos;

De dia, plantei sonhos;

De noite, colhi insônia.


Percorrendo estradas, me perdi em caminhos;

Navegando mares, ancorei em rios;

Do insistir, restou cansaço;

Do persistir, fracassos.


Pelo tempo, conheci a pressa;

Na pressa, as frustrações;

Nas frustrações, o medo;

No medo, encontrei a Ti.


Por Magno Ribeiro em 20/11/2011.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

RECORDO-ME



Recordo-me agora das certezas, tão incertas,

Das dúvidas que já havia olvidado,

Dos temores vividos,

Dos terrores passados,

Da querida e inócua arrogância;

Recordo-me porque se foram,

E porque hoje já é outro dia.




Recordo-me agora de tudo o que foi,

De tudo que já não mais é,

Das dores que já não me doem,

Da antiga e errônea fé,

Das velhas e equivocadas práticas;

Recordo-me porque se foram,

E porque hoje já é outro dia.




por Magno Ribeiro em 19/8/2011

domingo, 19 de junho de 2011

CARÊNCIAS






Careço outra vez rever minha vida, redirecionar os meus passos e recolher os meus braços desse abraço que quase sempre se envolve com o inatingível.



Careço de Ti, hoje muito mais que antes, ainda ouço vozes, ecos do passado; e embora também Te ouça, por vezes ensurdeço-me.



Careço de coragem para gerar, gerir e digerir novos frutos, e para abarcar na essência o sentido desse elo que sempre houve entre mim e Ti.



Careço enxergar as fortes e doces evidências do Teu intenso cuidado, que a todo o momento se irrompe diante de mim, e assim, possa eu desatar tantos nós, aplacar de vez minhas agonias.



Careço...




Por Magno Ribeiro em 12/6/2011

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

ETAPAS



De vez em quando o vento surge na popa;

De vez em quando!

A navegação entra em rotas aparentemente calmas;

Aparentemente!


Corro contra o tempo e mesmo quando o vento sopra a favor,

Pressinto que o destino se mantém ainda distante.

Tudo porque, careço sustentar o excesso dos meus pesos,

E as consequências dos meus tantos equívocos.


Quando penso que sou, simplesmente estou,

Incerto se sigo certo nos caminhos que vou.

Hoje aqui, amanhã não sei,

E do pouco que já sei, falta-me a lucidez.


Agora, encerro etapas,

Festejo batalhas vencidas, mas não a guerra.

Não devo e não posso me afastar de Ti.

Insurjo-me outra vez aos Teus cuidados.



por Magno Ribeiro em 25/12/2009.

Feliz dois mil e todos!



Desejei iniciar minhas palavras de um feliz ano bom a você, copiando àquelas do Apóstolo Paulo [São Paulo para alguns], quando disse: “quem espera desta vida apenas o que se vê já é a mais infeliz das criaturas”...


Não tenhamos, pois, medo do que possa vir a acontecer amanhã, em 2010, no outro ano ou em qualquer outro tempo; antes, porém, creiamos no único Deus que é fiel e poderoso para guardar-nos no dia mau. Isto é o que nos basta! Tudo porque, Aquele que criou todas as coisas que vemos, sentimos, cheiramos, ouvimos, necessitamos, percebemos e até mesmo as que não vemos nem compreendemos, fará sobressair Sua vontade eterna, graciosa e soberana sobre nossas vidas e tudo o mais que possa existir para completá-las, a fim de nos fazer bem e não mau.


Sim, porque quem criou as galáxias e os organismos pluricelulares, também colocou no mesmo pacote a vontade de amar, o querer andar de mãos dadas com a pessoa que se ama e se quer bem, criou o amor carinhoso e doce entre pais e filhos, avós e netos. Aquele que chamou à existência o que não existia, também desenhou pulsões de desejo e paixão entre homens e mulheres, que quando se encontram, descobrem-se completos um no outro. Sem pudor e sem vergonha, sem reservas e sem medo, o Criador criou o amor que desafia a física, a química, a geografia e a matemática, porque fez de dois, apenas um. Uma só carne feita de sonhos, expectativas e vontades diferentes que se encontraram na vida para serem um só, feito de duas partes completas que ficam cada vez mais completas um no outro.


Portanto, eis o segredo para este tempo e para os próximos: amar e amar.


Daí, o meu desejo para você em 2010 e sempre, é que perca as desesperanças ao invés da esperança! Confie mais Naquele que nos projetou para a vida! E quando digo de vida, digo no mais amplo sentido que ela possa ter, inclusive nas coisas mais simples ou singelas, como é sentir a brisa suave acariciando o rosto; como é ver as nossas crianças e a dos outros correndo alegres; como é sentir o coração batendo mais forte ao vermos a pessoa amada; como é quando descobrimos que todos os dias são oportunidades de semear coisas novas e boas; e até mesmo quando nos deparamos com a vida de gente que sofre, que tem dor sim, tem angústias, mas não perde a fé Naquele que não vemos, mas que vive pelos séculos dos séculos.


Neste ano ou no além, neste tempo ou fora dele, nesta possibilidade ou em todas as outras, Aquele que nos chamou à existência não para a morte, mas para a vida em abundância e em plenitude de alegria eterna, lhe abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!



MAGNO RIBEIRO

domingo, 20 de setembro de 2009

RESTA-ME



Salvo do naufrágio,
Agora ando exilado em mim.
Buscando o que não perdi,
Encontrando o que nem sei.

Respiro uma vida, enquanto aspiro outra;
Dividido entre elas, não inspiro nenhuma.
Mantido só pela razão,
Temo e não arrisco nada.

Crio fórmulas sem formas,
Componho músicas sem letras.
Ao medir-me, constato limites,
Reconheço que pouco me conheço.

Também não entendo o que se passa,
Tampouco, em tudo consinto.
Resta-me a esperança que ainda tenho em Ti,
Resta-me o conforto que ainda vem de Ti.

por Magno Ribeiro em 20/9/2009 às 5:00h

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ENTRE PLANOS


Entre o plano “A” que feneceu,
E o “B” que não é meu,
Por vezes me enxergo regando inférteis,
Cultivando vazios,
Ausentando-me da sensatez.

As muitas lacunas do agora,
De tempos em tempos,
Ofuscam o olhar daquilo que haverá de haver no horizonte.
Daí, meus anseios de tão ansiosos,
Lutam para que eu ceda, retroceda.

Ainda convalescendo,
Reconheço e confesso a pequinesa da minha fé.
É neste exato instante que, milagrosamente,
Sou chacoalhado pelo dono do plano “B”, e ouço:
“Coragem! Sou eu! Não tenha medo!”


por Magno Ribeiro em 31/7/2009 às 05h20min.

sábado, 4 de julho de 2009

Oscilações


Agora lúcido,
Logo mais, confuso.
Alterno lucidez e confusão,
Meio que consentindo uma esperança volátil.

Neste quase é,
Deste pode ser,
Alimento o nascer de ansiedades,
E o renascer das velhas angústias.

Se ao menos restasse lúcido ou confuso de vez!
Mas não; vivo neste estar entre.
Entre humores e temores, rumores e dissabores;
Oscilo a todo instante.

Os sonhos ainda acordam divididos;
Uns refletem findo o horror,
Outros projetam pesadelos, mesmo que sem terror.
Quisera que estes outros, jamais sejam reais!

Ainda trago comigo parte do que recuso.
Talvez por isto a sensação de arrepio,
O asco do antigo, o receio do novo;
Talvez por isto, oscilo em oscilações.

Quem diria que eu me desacolhesse tanto!
Mas, tenho de dar as costas para o saldo de trevas,
Voltar-me para frente, ou melhor, para cima onde amanhece,
E incitar de vez este coração contrito.

por Magno Ribeiro em 4/7/2009 às 21h05min.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

LABIRINTO


Atropelos e ideais insidiosos,
Levaram-me a desterros e desertos,
Ilhas e trilhas.

Muros se fechavam ou bifurcavam-se;
Adiante, multiplicavam-se em novos muros.
Era o círculo vicioso de alamedas estreitas e sombrias.

Crendo caminhar por atalhos,
Vi-me metido nas entranhas de um labirinto,
Recomeçando sempre que imaginava terminar.

Rodeado de certezas, quase sempre incertas,
Tornei-me papel em branco,
Sem linhas, sem tintas, sem textos.

Fui dor e doente,
Abastado e miserável,
Primeiro indicio, depois alvo.

Emparedado, sem horizonte,
Verticalizei ao erguer o olhar,
Até enxergar focos de luz.

Arfando, sôfrego, indeciso e lerdo,
Contornei as próximas esquinas,
Até que dei de cara com a saída.

Estancada, a vida pegou no tranco.
E do final daquilo que seria o fim,
Despontou o início do recomeço.

Daquele foco de luz, surgiram contextos,
Apareceram tintas, letras sobrevieram,
Palavras têm se formado; acenam-se os textos.


por Magno Ribeiro em 1/7/2009 às 20h33min.

terça-feira, 9 de junho de 2009

MEU EU E EU


Envolveste-me com tamanha sutileza,
Que por épocas sequer percebi.
Agi como um tolo,
E em tolo me tornei.
Segui por incontáveis caminhos, todos teus,
Deixei-me ser levado por tuas quimeras,
Não pensei na dor,
Mas seria óbvio que viria.
Despercebido protegi-te,
Enquanto desprotegia-me.
Não obedeci aos sinais,
Fui ultrapassando todos os limites;
Veloz, não foi possível parar sem me machucar.
Que insensatez!
Quanta estupidez!

Felizmente você, meu eu,
Já não mais tem absoluto influxo sobre nossa vida.
Tuas palavras já não me embebedam nos primeiros goles,
Seria preciso alto teor para tanto,
Seria preciso mais que um dia,
Entretanto, vivo só por hoje.
O amanhã não mais a mim pertence,
Tampouco a ti.
Quando acordo, já não é você quem procuro,
E como não te procuro, me encontro.
Encontro-me, mas não em mim,
Alcancei enorme graça,
Fui perdoado e me perdoei.
Que alívio!
Quanta sorte!




Por Magno Ribeiro em 9/6/2009 às 22h34m.