Seja...Triste, mas não amargo. Introspectivo, mas não solitário. Crítico, mas não azedo. Cético, mas não cínico. Complicado, mas não intolerável. Sincero, mas não inconveniente. Veemente, mas não agressivo. Alegre, mas não leviano. Grave, mas não iracundo. (Ricardo Gondim)

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domingo, 12 de abril de 2009

ESCOLHAS



Arrisquei-me escolhendo!
Bifurcações se multiplicavam diante de mim.
Quanto mais atraente fora a rota escolhida,
Tanto mais forte colidi, ao final fracassei.
Dos fracassos de ontem,
Restou-me a timidez de hoje.

Ainda arrisco-me quando escolho!
Nem sempre escolho o que quero,
É no que não quero para onde se inclinam minhas tendências.
Convivo nesta contínua peleja,
Da pertinácia que emerge dos meus tecidos,
Com o que busca inovar os meus sentidos.

Agora mesmo preciso escolher!
Desde já corro riscos.
Se enxergar o que perversamente me atrai,
O que é benévolo, o que me encanta, distancia-se de mim.
Felizmente já não mais estou só,
Fui escolhido, logo pressinto o que devo escolher.


por Wittembergue Magno Ribeiro em 12/4/2009 às 12h30min

sábado, 4 de abril de 2009

ENTRE SECOS E MOLHADOS


Não raras são às vezes em que pretendemos de forma cômoda, conciliar o certo com o duvidoso; a lógica com o desatino; a luz com as trevas. Quando agimos desta maneira, maliciosa ou ingenuamente, estamos sempre aptos a encontrar justificativas para associar estes e outros opostos. Mas, a verdade é que não há como encontrar formatos para se viver saudável e dignamente diante de Deus, possuindo caráter ambivalente.

Certa feita, ao contar a parábola de um administrador desonesto, Jesus retratou fielmente a intenção que se enraizou em muitos de nós, qual seja a de se exercer um proceder comprometido com os preceitos divinos, sem, no entanto, abandonar os conceitos equivocados de nosso tempo.

A parábola registrada em Lucas 16:1-13, talvez tenha sido a que melhor reuniu o interessante com o inusitado, por ter se servido Jesus do exemplo de um homem mundano e corrupto, para ensinar aplicações fundamentais à vida dos cristãos. É provável que ao utilizar histórias do cotidiano para ensinar lições espirituais, Jesus tenha lançado mão de uma constatação humana, de que pessoas entendem mais facilmente as coisas materiais. A analogia foi sem dúvida uma ferramenta importante para que Ele pudesse tornar mais compreensível os princípios do reino do céu.

O registro em comento traz um personagem que fora acusado de ter administrado mal os bens do seu senhor, logo, seria demitido, e assim, haveria de apresentar imediatamente a prestação de contas com o relatório de todos os haveres em favor daquele. A bíblia diz que havendo o homem refletido, elaborou um plano para reduzir as dívidas que as demais pessoas contraíram com o seu patrão e, após os acordos de redução pactuados, o administrador idealizou que mesmo perdendo seu emprego, estaria garantido com aquelas mesmas pessoas, assegurando desta forma o seu futuro bem próximo.

Pela sua astúcia, o administrador foi até elogiado pelo seu senhor, sendo esta, a meu ver, a principal lição que Jesus procurou transmitir com a parábola. Evidentemente que ao dizer “pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz" (Lucas 16:8 - NTLH), Ele não consignou sob qualquer hipótese apoio à desonestidade, mas, ponderou como o mundo está mais bem servido por seus servos, do que Ele pelos que são Dele. Os objetivos, é claro, são diametralmente opostos, contudo, aqueles que estão no mundo têm sido mais diligentes em cuidar de seus próprios corpos do que cristãos em cuidar das suas almas.

Aquele administrador infiel percebendo qual seria o final daquela abordagem, ele não chorou, não se lamentou, mas encarou a realidade e começou a preparar o futuro. Avaliou de pronto em como seria depois que perdesse o emprego vigente, conquistou sua network e garantiu segurança financeira para depois do fim.

Certamente o que Jesus quis demonstrar com este exemplo, foi que diferente dos que não são Dele, nós cristãos vivemos quase sempre desatentos ao futuro que virá depois do fim. Temos visões encurtadas, pensamos no imediato, naquilo que se pode alcançar já, esquecendo que a vida que Deus nos assegura, é eterna e vai muito mais além de tudo quanto está sobre a mira da nossa visão.

E neste campo, fracassamos porque buscamos servir a dois senhores. Ao mesmo tempo em que dizemos confiar em Deus, depositamos confiança quase que incondicional em nossos próprios conhecimentos e forças. Enquanto afirmamos e reafirmamos dominicalmente a nossa fé em Cristo Jesus, cremos de segunda a sexta que os nossos problemas encontram fim a partir da conquista do dinheiro.

O administrador retratado por Jesus não obteve êxito servindo simultaneamente ao seu patrão e ao senhor da sua (dele) vida – o dinheiro. Todavia, ao ser confrontado por aquele senhor, sem pestanejar, optou por aceitar a demissão, não sem antes, porém, buscar nas ações seguintes, garantir a vida vindoura as suas próprias custas. Pelo menos neste aspecto aquele homem foi honesto. Neste mesmo sentido, Deus espera nossa honestidade, não tendo sido sem causa que Jesus afirmou que “um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Lucas 16:13 - NTLH).

Temos, pois, que escolher entre servir a Cristo totalmente ou abandoná-Lo. Não existe meio termo. Com Deus não há conciliação de antagônicos; não se pode viver entre secos e molhados. Quem fica em cima do muro, cai.

MATEUS 6
25 Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas?

26 Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos?



Por Magno Ribeiro em 3/4/2009.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ILHADO

Do negrume daquele instante,
Enxerguei o facho da Tua luz;
Ilhado pelo que me maculou,
O que a partir de Ti reluziu,
Transformou-me numa possibilidade.
Esta possibilidade em espera;
E a espera na Tua definitiva chegada;

Do clarão deste novo instante,
Vi-me carinhosamente embarcado por Ti;
Daquilo que me ilhava, salvação!
Agora em águas claras,
Navego somente em Tua direção;
Tu já és o caminho,
E a verdade de minha vida.

por Magno Ribeiro em 3/4/2009 às 6h46m.

segunda-feira, 30 de março de 2009

TEMOR OU MEDO?


Tenho temor!
Tenho medo!

Meu medo às vezes é maior se penso em Ti.
Vivo com medo do que deveria ser apenas temor.
Se em algumas ocasiões Te ouço dizer pra não ter medo,
Em outras é como se eu Te ouvisse dizendo pra ter.

Assim, ando com medo de meu silêncio,
Medo do Teu silêncio,
Medo dos meus pensamentos,
Medo desse meu comportado pavor.

Enfim, tenho medo dos meus medos!

Tenho medo até de confundir-me nas escolhas,
Medo que o passado se faça presente,
Que o presente não seja futuro,
Medo que desconfiem que esteja com medo.

Temer ou ter medo? Tenho ambos!

Sei que temer a Ti é odiar o mal;
A soberba e a arrogância,
O mau caminho e a boca perversa.

Preciso e quero odiar tudo isto!
Tenho medo de não conseguir.

Por Magno Ribeiro em 26/1/2008.

domingo, 29 de março de 2009

EU, SUJEITO

Me sujeito ao Teu jeito,
Porque sei que não fui perfeito.


Me sujeito ao Teu jeito,
Porque sei que ainda tem jeito.


Me sujeito, me consumo.
Mas sei que És o insumo,
Pra esse meu novo jeito,
Que ainda meio sem jeito,
Já está deTi sujeito.


Me sujeito agora, me sujeito qualquer hora,
Porque sei que nem sempre estive sujeito
Ao Teu jeito, que de tão perfeito,
Ao meu jeito não deu jeito.


Me sujeito pelo que És,
Me sujeito pelo que haverás de ser.
Me sujeito porque És duro,
Me sujeito porque És doce.


Desse jeito eu te amo,
E porque te amo, estou a Ti sujeito.



(Por Magno Ribeiro em 12/1/2008)

sábado, 28 de março de 2009

A REFORMA

Foi preciso ver desmoronado o castelo;
A areia cedeu ao primeiro sopro.

Foi preciso um novo dilúvio,
Para me dar conta que até a fauna sucumbiu;

Foi preciso despir-me por inteiro,
Para enxergar sujeira nas minhas vestes;

Foi preciso a reforma - foi precisa.

Precisa pela tempestividade;
Precisa em continuidade;
Precisa para a eternidade.


Por Magno Ribeiro em 29/3/2009 (02h30min)

A ESPERA (II)

(Por Magno Ribeiro em 16/12/2008)

Já não há mais forças;
Já nem mesmo sei o que ainda há.
Minhas limitações ultrapassam os meus limites;
Meus sentidos pouco Te sentem,
Tudo anda comprometido.
Não que eu tenha desistido de Ti,
Contudo, não sei esperar.
Preciso esperar!

Tuas palavras confortam, mas já não resolvem;
Teus gestos andam tão imperceptíveis,
Ou é a minha sensibilidade que tem andado insensível?
Nada à flor da pele.
Nada além do que vejo.
Não que eu tenha desistido de Ti,
Apenas não aprendi a Te esperar.
Vou ter de esperar!

Nesse jogo inacabado;
De tempo em tempo, prorrogação;
A vitória é só esperança.
Já a esperança, anda tão desesperada,
Busco alívio e em vez disso, angústia.
Mas não vou desistir de Ti,
Tenho de aprender a esperar.
Eu vou Te esperar!

A ESPERA (I)

(Por Magno Ribeiro em 2/12/2008)


Estou à Tua espera
E Tu bem sabes.
Ando cansado,
Espero cansado, mas espero.
Procuro ouvir a Tua voz,
Nem sempre ouço.
Agora, só silêncio.
Assim mesmo Te espero.
Enquanto Te espero,
Altos e baixos.
O Teu tempo me confunde,
Contudo, Te espero.
Onde estás?

DESABAFO

De tudo que eu sei,
Pouco ainda sei de Ti. Também pouco tenho a meu favor,

Se confuso e efêmero é tudo quanto já sei que sou.

Ah se eu soubesse ao menos um pouco do muito que sabes de mim!
Ampliaria nossos horizontes;
Reduziria nossas diferenças;
Me direcionava para bem mais próximo de Ti.

Por Magno Ribeiro em 27/3/2009.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Às vezes presente,
Tantas vezes ausente.
Presente ou ausente,
Eu tenho fé.

Seja do tamanho de um grão,
Seja microscópica,
Sutil ou intensa,
Ela é a minha fé.

Se com ela me convenço, sem ela me venço.
Se com ela eu falo, sem ela me calo.
Se há nela esperança, sem ela nada sou.

Nos territórios transitórios da vida,
Espero algum dia poder ouvir:
A tua fé te salvou!

(Magno Ribeiro em 3/12/2008)

PAU QUE NASCE TORTO MORRE TORTO. (Será?)


Por Magno Ribeiro em 19/3/2009 (21h53min).


“Pau que nasce torto morre torto”. Hoje acordei com esse ditado popular na memória. Talvez por haver, no passado, ouvido-o tanto, e por vezes associado a um dedo indicador voltado para minha direção; ou simplesmente como uma fonte de inspiração para alimentar esse meu desejo, ainda infantil, de escrever. Com o advento da informática, quase sempre quando digo escrever, quero dizer digitar e agora, diante de um computador conectado ao mundo cibernético, busquei a definição para ditado popular e encontrei ser “uma sentença de caráter prático e popular, que expressa em forma sucinta, e não raramente figurativa, uma idéia ou pensamento”.

Considerando tal preceito, o dito popular trazido à minha memória no meu despertar, submete todo sujeito que porventura tenha nascido com alguns desvios de conduta (torto), a um júri popular que já possui um veredicto pronto que é o de não se ter outra escolha durante a vida, a não ser a de viver até a morte como supostamente nasceu. Nasceu torto, vive e morre torto e ponto. Nada que venha o “torto” a fazer poderá mudar esse status contínuo de ter nascido torto. Sequer poderá ele recorrer da sentença imposta, neste caso, unilateral e mortal.

Ora, quando mantenho apenas a linguagem figurativa na fala popular, observo que até mesmo os paus que efetivamente nasceram tortos, adquirem novas formas e excelentes acabamentos quando moldados em serrarias e, se manipulados por experientes marceneiros, ganham contornos e transformam-se em artefatos requintados e valorizados, conquistando por fim, funções nobres. Logo, ao restabelecer a relação figurativa da fala, preciso crer que pessoas, como paus, até podem nascer tortos, porém morrer como nasceram não pode ser uma simples sentença de caráter prático e popular; quando muito é escolha.

Felizmente eu e todos os outros “tortos” espalhados pelos recantos deste planeta, podemos alcançar em Jesus o habeas corpus para esta cruel sentença. É apenas uma questão de descrer no popular, para crer no divino. Isto porque, através do amor de Cristo somos todos objetos de Sua experiência em carpintaria, mesmo quando o que se acredita é que para os “nascidos tortos”, não há mais qualquer alternativa, uma vez que já teriam cruzado uma linha para além da qual não há mais retorno.

Creio, portanto, que haverá sempre gente “torta” querendo passar pela serraria e marcenaria divinal e que por esta razão, não importa onde se encontrem, seja em praças, quartos escuros, hospitais e até mesmo em prisões, clamarão por Deus e suplicarão que lhes mostre um caminho de volta e Ele, que não resiste a um coração arrependido, atenderá, dando-lhes um novo nascimento, mostrando-lhes a verdade e garantindo-lhes uma vida eterna.

Assim, para mim que nasci torto, haver descoberto a tempo, que ao invés de ter tão somente a opção de morrer tal como eu nasci, tenho também, em Cristo Jesus, a possibilidade de nascer novamente, sem culpa e com tudo que já foi torto, modulado, me trouxe alivio e me tirou o peso da discussão trazida pelo adágio que movimentou os meus pensamentos iniciais deste dia.

Dessa maneira, ainda que tardiamente, rechaçarei a partir de então tudo quanto for popular, sempre que afrontar o que é divino. Entendo, portanto, ser afrontoso a Deus, condenar sumariamente a não se ter escolhas, desde o nascimento até a morte, todos aqueles “paus que nasceram tortos”, como eu. Porquanto, creio que tanto para mim, quanto para todos, Jesus Cristo concedeu a possibilidade do novo nascimento e por via de conseqüência, a de que venhamos ser novas criaturas. Sei também que para quem escolhe a Cristo e nasce novamente, há garantias de não mais haver condenação, de que as coisas velhas passam a inexistir, e de que tudo se transforma em novo.

Encerro o meu dia e estes escritos digitados, desautorizando a fala popular em minha vida, por ter entendido que até mesmo para “paus que nascem tortos”, existirá sempre a oportunidade do renascimento em Cristo, e sendo assim, morrer torto será apenas uma escolha, jamais uma sentença. Escolho, pois, através do perdão ofertado por Ele, transferir para o passado tudo quanto até agora tem sido torto em mim, e passo a nortear o meu caminho a partir do manual de conduta que encontro em Sua Palavra. Como resultado deste novo viver, sei que alcançarei vida e vida em abundância.



Agora já não existe nenhuma condenação para as pessoas que estão unidas com Cristo Jesus. (Romanos 8:1 – NTLH)

Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo. (II Coríntios 5:17 – NTLH)